09 Mar 2020

Aromaterapia: bem-estar e saúde pelo olfato

Quem não recorda o cheiro de uma casa, de um prato, de um perfume, de um livro novo, de pão acabado de cozer ou da terra depois da chuva? O olfato é um dos mais poderosos sentidos humanos e é um dos mais capazes de transportar memórias ao ser humano. A exploração deste sentido chegou muito mais longe do que se pensaria – para além de ser usado na cosmética, gastronomia, marketing, entre tantas outras áreas – tornou-se um aliado da saúde.

O que é a aromaterapia?

A aromaterapia é um tratamento baseado na utilização de compostos aromáticos vegetais voláteis concentrados, com múltiplas propriedades, quer seja a título preventivo, quer curativo. Os aromas vêm dos óleos essenciais, substâncias naturais extraídas do mundo vegetal. Pode-se produzir uma essência a partir das diversas partes das plantas: caules, folhas, rebentos, raízes, rizomas, casca, madeira, bem como das flores, frutos e sementes.

Ao nível físico, as moléculas mais pequenas dos óleos essenciais penetram mais profundamente na pele, o que ajuda a aliviar dores, melhorar a circulação e otimizar o processo de renovação celular. Por outro lado, ao nível emocional, o olfato é o mais primitivo dos sentidos e está ligado às partes mais profundas do cérebro. Dessa forma, cheirar óleos essenciais resulta num efeito dinâmico na mente e no corpo.

Um aroma pode estimular sensações e reações das mais diversas: da calma à agitação; passando pela sensualidade e até pela ajuda no controle da dor. Isso acontece porque estimulam células nervosas e conseguem atingir o chamado sistema límbico, fazendo com que o cérebro liberte substâncias que são relaxantes ou estimulantes naturais.

Os aromas têm efeito profundo, servindo de estímulo a anticorpos, neurotransmissores, endorfinas, hormonas e enzimas. Quando dispersados no ambiente, elevam o oxigênio atmosférico e reduzem as bactérias no ar.

Aromaterapia ao longo do tempo

  • 4000 anos a.C.: no antigo Egito, os plantas aromáticas eram usadas para desinfetar os quartos e embalsamar as múmias;
  • Ano 1000: a destilação de óleos essenciais é desenvolvida a partir do ano 1000 por Avicena, um médico árabe, autor de inúmeras obras (“O Cânone da Medicina” …);
  • 1918: Nascimento da aromaterapia moderna: R.M. Gattefossé (químico de Lyon) queima as mãos durante uma explosão no seu laboratório.

O marketing olfactivo e a alta-costura

Não acabam as curiosidades históricas em torno do universo dos odores. A história do marketing olfativo, por exemplo, é hoje uma ferramenta usada por milhares de empresas para criar experiências, desejos e identidades, mas que começou com a alta-costura no século XX. Como era remota a possibilidade de comprar um vestido desenhado por estilistas de renome, o perfume tornou-se um objeto de desejo mais acessível, podendo ser utilizado por mais tempo. Aconteceu, por exemplo, com o Chanel nº 5 que se transformou em lenda como sendo a única roupa de dormir de Marilyn Monroe. Como não se podia ter um vestido exclusivo, pelo menos era possível levar para casa o perfume de determinada marca.

Aromaterapia na atualidade

As propriedades deste tipo de substâncias têm sido testadas durante as últimas décadas de acordo com os métodos modernos de avaliações clínicas. A ciência continua a estudar estas substâncias e há hoje mais de 19 mil estudos científicos de alto nível, relativamente a óleos essenciais. Uma parte da comunidade científica continua a querer mais estudos e mais detalhados para aprofundar a evidência sobre a ligação do olfato com o sistema límbico.

A aromaterapia é já uma disciplina avaliada nos departamentos de medicina integrativa (Estados Unidos, Suíça, Alemanha, entre outros). É usada em internamentos em hospitais e clínicas (oncologia, cuidados paliativos, acompanhamento e reabilitação), com avaliação da melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Os princípios aromáticos naturais são raros (são cerca de 50 famílias) e apenas10 % das 800 000 espécies vegetais registadas os produzem.

A mesma espécie de planta, dependendo do local onde cresce, pode sintetizar componentes diferentes e ter, portanto, propriedades distintas. Por exemplo, há 3 tipos químicos de alecrim que têm atividades terapêuticas diferentes, tendo uma delas ação analgésica e anti-inflamatória, outra com uma ação mucolítica e bactericida e uma terceira com uma ação musculotrópica.

Nos últimos anos um estudo específico concluiu, por exemplo, que combinar óleos essenciais com propriedades bactericidas a antibióticos permite aumentar a eficácia terapêutica anti-infeciosa – o que é importante com o atual problema de saúde pública que é a resistência aos antibióticos.

Este tipo de abordagem demonstra também respeito pelos ecossistemas e tem ação simultânea sobre vários agentes patogénicos (vírus, bactérias, fungos, leveduras, etc.).

A vantagem dos óleos essenciais nas infeções sazonais

Numa época em que falamos tanto de vírus e da sua contaminação, devemos notar que a aromaterapia nos ajuda a limpar o ar da casa, carro, escritório, etc. Ajuda a limpar e purificar o interior para evitar fontes de epidemias e contaminação por via aérea, ajuda a evitar a contaminação pelas mãos e por contacto e combate os germes ajudando a reduzir a transmissão de infeções invernais e bronco pulmonares. Nestes casos esta terapia funciona como uma forma natural de purificar para combater epidemias e fontes de alergia.

Uma aromaterapia bem orientada produz efeitos notórios com uma eficácia consistente e percetível e com efeitos secundários mínimos na saúde humana e nos ecossistemas biológicos circundantes – algo essencial também numa época de combate às alterações climáticas.

Como usar a aromaterapia?

Para a aplicação da aromaterapia são necessários os óleos essenciais e os óleos vegetais, porque grande parte dos essenciais não deve ser aplicado diretamente sobre a pele. Os cítricos, por exemplo, são fotossensíveis. E, na verdade, os óleos vegetais também têm propriedades terapêuticas. A utilização é simples: misturar poucas gotas de óleo essencial em óleo vegetal, como o óleo de coco ou de amêndoas doces.

As categorias dos óleos

Utilizados a solo ou misturando mais que uma variedade, os óleos essenciais estão divididos em três categorias, dividindo-se consoante as suas “notas” ou índice de evaporação.

  • Óleos de nota elevada – os mais estimulantes e revigorantes, têm um aroma forte, mas o seu perfume dura apenas entre 3 e 24 horas. Alguns exemplos incluem: basílico, bergamota, salva, coentro, eucalipto, laranjeira-amarga, hortelã-pimenta e tomilho.
  • Óleos de nota média – atuam ao nível das funções corporais e metabólicas e, embora menos potentes, a sua fragrância só evapora passados 2 ou 3 dias. Alguns exemplos incluem: erva-cidreira, camomila, funcho, gerânio, zimbro, lavanda e alecrim.
  • Óleos de nota baixa – o seu aroma doce e calmante, tem efeitos relaxantes no corpo e é a fragrância que mais tempo dura, até uma semana. Alguns exemplos incluem: cedro, cravinho, gengibre, jasmim, rosa e sândalo.

Como aplicar os óleos na aromaterapia?

Na aromaterapia, os óleos essenciais têm múltiplas aplicações:

  • Externa – aplicado diretamente na pele (diluído ou não), tratam feridas superficiais ou problemas de pele, ativando, em simultâneo, os recetores térmicos do corpo, matando micróbios e fungos;
  • Interna – ingerido através da diluição em água ou adicionado à alimentação, ativam o sistema imunitário;
  • Massagem/Banhos – largamente associados às massagens e banhos de aromaterapia, nestes casos os óleos essenciais são inalados, mas também são absorvidos pela pele, entrando no sistema circulatório que os transporta para os órgãos e restantes sistemas do corpo;
  • Difusão no ar – queimados como incenso ou colocados em recipientes ao ar livre, os óleos essenciais são captados pelas células olfativas e direcionados para o sistema límbico;
  • Inalação – quer os óleos sejam concentrados ou diluídos em água quente (mantenha os olhos fechados para evitar irritação);
  • Aplicação Direta – para situações muito particulares como picadas de insetos, acne, feridas;
  • Ingestão – em certos casos e, sempre com indicação médica, podem os óleos essenciais ser também ingeridos.

Os óleos mais usados

Existe uma grande variedade de óleos essenciais. Contudo, há cerca de vinte a trinta tipos que podemos considerar mais utilizados. De entre estes últimos, fazendo uma seleção muito restrita, podemos destacar os seguintes:

  • Eucalipto – com características antissépticas e descongestionantes, este óleo pode ser usado em resfriados, infeções respiratórias e dores;
  • Lavanda – apropriado para casos de insónia, stress, queimaduras e problemas de pele por ser considerado relaxante;
  • Menta – com as suas características refrescantes, estimulantes e digestivas pode ser aconselhado em casos de fadiga muscular, mau-hálito e dificuldades de digestão;
  • Ylang-Ylang – conhecido pelo seu aroma sensual e relaxante;
  • Melaleuca – por ser antifúngico e antisséptico pode convir em situações de picadas de insetos e feridas e outros problemas de pele.

 

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